Continuando os comentários sobre o livro A arte de viajar, de Alain de Botton, compartilho duas passagens que pesaram para mim, casada com um estrangeiro:
Podemos valorizar elementos estrangeiros não só porque sejam novos, mas por parecerem mais fielmente ajustados à nossa identidade e às nossas preferências do que qualquer outra coisa que nosso país pudesse oferecer. O que consideramos exótico no exterior pode ser aquilo a que aspiramos em vão em casa. (Pág. 80)
Ao apelo que uma pessoa atraente pode oferecer em nosso país, soma-se, numa terra exótica, uma atração decorrente do lugar. Se é verdade que o amor é a busca em outros de qualidades de que carecemos, em nosso amor por alguém de outro país pode haver uma ambição de nos vincularmos mais estreitamente a valores que faltam em nossa cultura. (Pág. 90)
Confesso que os homens estrangeiros sempre me atraíram. 😉 Como meu esposo é inglês, comecei a pensar no que a cultura britânica teria e que eu sentiria falta no Brasil. Eu adoro o Brasil e tenho orgulho de ser brasileira. Tanto que, em casa, o Chris não pode falar mal do Brasil, é um combinado nosso. A única exceção é o trânsito, rsrsrs.
No entanto, a convivência diária com um britânico fez ver o quanto nosso sentido de coletividade, de comunidade, ainda deixa a desejar. Não estamos acostumados a considerar os outros em nossas ações. Não pensamos que o que estamos fazendo pode estar atrapalhando ou incomodando alguém. Isso vai desde algo simples, como andar devagar, em grupo ocupando a calçada toda, sem se importar se alguém está com pressa, até atos como furar filas, não dar descarga em banheiro público, escutar música alta tarde da noite, buzinar de madrugada porque o time venceu e parar em fila dupla “rapidinho”. É a cultura de “cada um por si” e “os incomodados que se retirem”…
Já os britânicos fazem de tudo para não incomodar e, na mera possibilidade de talvez atrapalhar, se desculpam. Aliás, se desculpam o tempo todo. Aqui no Brasil desculpar-se é muitas vezes visto como uma fraqueza. Não precisamos chegar no nível inglês, mas um pouquinho mais de consideração e respeito com o outro seria muito bom!
trabalhei dois anos em navios de cruzeiros… e como era bom ter passageiros ingleses e alemães. Eles simplesmente tratavam a galera que estava trabalhando como gente, que merece respeito como qualquer outra pessoa. Admirável isso. E realmente, como ainda temos muito o que caminhar nesse quesito. Sempre acho que a palavra-chave para a resolução de muitos problemas e situações é a empatia. Quando as pessoas entenderem e absorverem o conceito dessa palavra, ai não teremos mais tanto de individualismo e egoísmo e todos os problemas gerados por isso…
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Bem vinda a bordo do blog Juliana e obrigada pela contribuição. A maioria dos passgeiros do navio que trabalhou era de onde?
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A maioria eram espanhóis..fazia mediterrâneo. E no Brasil…os adoráveis..rs.. argentinos…rs..
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Ixi. Eu também fazia Mediterraneo com público espanhol. Era Pullmantur? Quando ficou embarcada?
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Tava na extinta Ibero Cruzeiros…rs..só coisa boa..rs….puts, comodava trabalho aquele pessoal… ai quando fico entediada em terra logo penso: poderia ser pior…poderia estar limpando vômito…então fica tudo bem ahhaha
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Hahaha. Muito boa a ideia usar a experiência para animar quando as coisas parecem ruins. vou copiar. rsrs
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