O Chris me presenteou com o livro “A arte de viajar” de Alain de Botton. Botton é um filósofo suíço que mora em Londres e é autor de alguns livros que visam popular a filosofia, ao relacioná-la com a vida cotidiana.

O legal deste livro é que ele junta arte e viagem. Para quem gosta dos dois, como eu, é bem interessante. Ele relata algumas viagens pessoais e também como artistas de diferentes épocas expressaram uma viagem que fizeram.

Como filosofar sempre está em ordem no blog, nos próximos posts compartilho alguns pontos que me chamaram mais atenção e teço breves comentários sobre os mesmos:

Se nossas vidas são dominadas pela busca da felicidade, talvez poucas atividades revelem tanto a respeito da dinâmica desse anseio- com toda a sua empolgação e seus paradoxos- quanto o de viajar. Ainda que de maneira desarticulada, ele expressa um entendimento de como a vida poderia ser fora das limitações do trabalho e da luta pela sobrevivência. (Pág 17)

Fiquei me perguntando se é por isso que amo viajar. Além de conhecer lugares novos, as preocupações mudam. Talvez até tenhamos que economizar mais do que no cotidiano, mas a aventura do novo, do desconhecido traz outro tipo de preocupações, diferentes da do nosso cotidiano. Conheço gente que detesta estar no desconhecido. Não gostam de não entender o que está sendo dito ou escrito, odeiam não saber o caminho, não conhecer as ruas, as pessoas… Para mim isso é excitante! Conseguir me virar em um lugar desconhecido, explorar o que não me é familiar. Além do desconhecido, quando viajamos podemos estar em lugares maravilhosos. Mais do que a apreciação estética, Botton diz que há outra sensação quando estamos em lugares lindos:

Se o mundo é injusto ou está além de nosso entendimento, os lugares sublimes sugerem que não surpreende que as coisas sejam assim. Somos joguetes das forças que criaram os oceanos e moldaram as montanhas. Lugares sublimes nos levam gentilmente a reconhecer as limitações que, de outra forma, poderiam nos causar ansiedade ou raiva no curso comum dos acontecimentos. Não é apenas a natureza que nos desafia. A vida humana não é menos devastadora, mas são os vastos espaços naturais que talvez nos ofereçam o melhor e mais respeitoso lembrete de tudo o que nos transcende. Se passarmos algum tempo com eles, talvez nos ajudem a aceitar com mais elegância os grandes e inconcebíveis acontecimentos que molestam nossa vida e nos retornarão, inevitavelmente, ao pó. (Págs. 175, 176)

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