Depois de um tempinho sumida, retomo os videoposts com uma série que pode parecer estranha: “Isso não estava no roteiro”. Nela vou relatar algumas situações não planejadas em minhas viagens: coisas que deram errado, eventos inusitados, sustos, medos e perigos que passei. Isso porque, quando viajamos, nem sempre tudo sai perfeito. Mesmo assim, a experiência acaba contribuindo para nosso crescimento. Nem que seja aprender a rir ao invés de chorar, desprender, ficar mais paciente ou mais esperto. Quando nos abrimos para o desconhecido, estamos sujeitos a ser surpreendidos (a bem da verdade, mesmo sem sair de nossa rotina, surpresas acontecem). Graças a Deus nada foi muito grave e tudo virou caso… para compartilhar com vocês!

Começo com um que foi um duro golpe sofrido durante o mochilão pela América Latina em 2005:

Para ir a Machu Picchu optei pela rota menos seguida: uma alternativa entre a Trilha Inca e o dia único de visita saindo de Cuzco e voltando pra lá no mesmo dia. Minha opção era mais barata e tinha a vantagem de chegar a Machu Picchu mais cedo, antes da turistada vinda no trem desde Cuzco chegar, lá para as 10hs da manhã. Basicamente fui no dia anterior de ônibus até metade do caminho e depois peguei o trem até Águas Calientes, o  vilarejo mais próximo das ruínas. Dormi lá e, no dia seguinte, visitei as ruínas. Claro que tirei fotos maravilhosas.

No final do dia voltei para Águas Calientes e… o albergue em que tinha passado a primeira noite e cuja segunda já estava paga também, havia me expulsado do quarto, alegando overbooking. Eles até tinham tirado minhas coisas de lá. Eu tive que fazer um escândalo para que me arrumassem outro lugar para ficar. Levou mais de uma hora para arranjar e tive que sair carregando as minhas coisas pela vila afora. Quando finalmente me instalei em outro lugar, vi que minha máquina fotográfica não estava mais em minha mochila! Claro que saí procurando, fiz o povo ligar até para a administração das ruínas, ofereci recompensa… mas nada. Provavelmente foi roubada durante a confusão. A câmera nem era uma supermáquina, mas eu havia perdido as 150 melhores fotos da minha vida até então: as das ilhas flutuantes em Puno- com crianças moreninhas e bochechas rosas (veja post aqui, no qual as fotos são emprestadas) e as de Machu Picchu. Logo eu, uma profissional da imagem! Tive que usar toda a maturidade para não deixar isso arruinar minha viagem. Disse para mim mesma que não valia a pena chorar. Uma teimosa lágrima caiu. Fiquei uns dois dias pra baixo, mas pensava nas alegrias da viagem para melhorar.

O pior foi decidir o que fazer nos outros 2 meses e meio que faltavam de viagem. Comprar outra câmera? Pedir que me enviassem outra do Brasil? Não queria usar o dinheiro da viagem para comprar algo material. O envio seria uma aventura incerta… Optei pelas infames máquinas descartáveis, de qualidade duvidosa. Acabou que com isso eu perdi o tesão de fotografar e ficava mais preocupada em admirar a beleza com os olhos do que tirar fotos… Além disso, vários amigos que foram feitos durante a viagem, se sensibilizavam com meu caso e tiravam fotos em suas máquinas, pegando meu e-mail para enviar depois. Ótima desculpa para manter contato…

Foto do Chris em Machu Picchu porque eu não tenho foto nenhuma foto minha lá... snif snif
Foto do Chris em Machu Picchu porque eu não tenho foto nenhuma foto minha lá… snif snif